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domingo, 7 de novembro de 2010

Ao completar 10 anos, Cico tem crimes não desvendados

Em seus dez anos de existência, a Comissão Investigativa do Crime Organizado (Cico) possui a grande maioria de seus casos solucionados; entretanto há ainda crimes insolúveis que permanecem um verdadeiro mistério, mesmo para este grupo especializado da Polícia Civil.

Entre os crimes desvendados de maior destaque, segundo presidente da Cico, delegado Bonfim Filho, estão o desbaratamento da quadrilha de Correia Lima - que incluía até mesmo o presidente da associação dos delegados José Wilson Torres. Os doze primeiros processos instaurados pela Cico são todas referentes a este caso. O delegado acrescenta ainda o desfecho do sequestro da estudante de direito, Fabiana Vieira, em 2005. A jovem passou 21 dias no cativeiro, durante o mais longo sequestro já ocorrido no Piauí.

A Cico conseguiu também prender membros do bando que levou R$ 934 mil do Banco do Estado do Piauí no Centro Administrativo, em novembro de 2008. Além da prisão da quadrilha de oito pistoleiros na região de Picos, Fronteiras, Pio IX e Lagoinha.

Breu
Mas há uma série de assassinatos, que mesmo para este grupo especializado em desvendar crimes continuam uma verdadeira agulha num palheiro. São eles: o assassinato do fotógrafo Marcos Chapéu cujo corpo foi encontrado na estrada da Usina Santana em 2007. “A principal dificuldade é porque não há testemunhas”, diz Bonfim.

A morte do mototaxista Daniel, assassinado Estrada da Alegria em 2004 com dois tiros na cabeça. Os bandidos tentaram ainda atear fogo no corpo da vítima. E ainda está sem solução a morte do Funcionário da Funasa, Alípio Ribeiro em Campo Maior em junho deste ano. A polícia trabalha com a hipótese de crime ligado a pistolagem.



sábado, 2 de outubro de 2010

Crimes insolúveis

Mortes e assassinatos inexplicáveis: conheça a seguir os grandes casos que conseguiram enganar os policiais e transformaram criminosos desconhecidos em lendas, apenas por terem desafiado as autoridades



Implacáveis e evasivos. Duas palavras que vêm à mente quando estudamos os grandes crimes sem solução da história. A aura de mistério e suspense que cerca esses casos é tanta que mais parecem roteiros de filmes do que casos da vida real, tanto que a maioria deles foi mesmo adaptada para os cinemas. Também por estarmos longe das cenas destes crimes, seus relatos mais parecem com histórias contadas em acampamentos do que com a violência cotidiana nacional.

Porém não se deixe enganar: as vítimas desses assassinos sem nome realmente existiram e até hoje clamam por vingança em relatos que se tornaram atrações turísticas e que fazem a festa de vários turistas que tiveram a oportunidade de conhecer os cenários desses crimes brutais. Convenções de estudiosos dos casos pipocam pela Europa e Estados Unidos e atraem tantas pessoas quanto as similares de ficção científica.

Muitos criminologistas, hoje tão populares entre as pessoas graças à fama de seriados como CSI - Crime Scene Investigation, acreditam que a tecnologia moderna é capaz de revelar os segredos desses casos, como atestam os esforços da escritora norte-americana Patricia Cornwell, que gastou uma pequena fortuna pessoal avaliada em mais de quatro milhões de dólares para poder provar sua tese sobre a suposta verdadeira identidade de Jack o Estripador, considerado o primeiro grande serial killer de todos os tempos. O resultado, que se tornou o livro Retrato de um Assassino, é debatido até a exaustão e desacreditado pela maioria dos ripperologistas (nome dado aos pesquisadores do caso Jack o Estripador. A outra alternativa seria estripadorologistas, não muito sonoro).

Mortes sem solução não são uma novidade dos tempos modernos. Com o passar dos séculos muitos casos insolúveis foram registrados (confira três deles nos boxes). Porém, muitos antropólogos e psicólogos afirmam que este tipo de 'assassinato em série' é um produto de nossos dias. Outros já preferem apenas analisar os fatos para tentar deles extrair a causa particular de tais atos hediondos.

Mas o que teria deixado esses casos sem solução? Incompetência da polícia em identificar o assassino? Sorte do criminoso? O nível de elaboração do crime? Para conhecer melhor esses casos, vamos analisar quatro dos mais comentados de todos os tempos. O leitor poderá, desta forma, exercitar seus dotes de detetive e arriscar seu palpite. Quem sabe a verdade esteja bem na nossa cara e simplesmente não podemos ver...

sábado, 4 de setembro de 2010

Onde se lia sangue, leia-se Justiça!


Caso Leal: 5 anos impunes

:: Caso Leal

Quem mandou assassinar Manuel Leal seguiu uma lógica macabra: o jornal A Região fecharia, as denuncias cessariam e o caso cairia no esquecimento em pouco tempo.
A certeza da impunidade era tamanha que nem se preocuparam em executar o chamado "crime perfeito", tantos foram os rastros deixados pelo caminho.
Deu tudo errado, apesar do empenho (ou da falta de) da polícia em transformar a morte de Leal num desses crimes insolúveis que se perpetuam ao sabor de interesses políticos e/ou financeiros.
Reconheça-se que desde o início a polícia foi de uma competência extrema para garantir a impunidade dos mandantes e assassinos.
O delegado Jacques Valois, responsável pela investigação, não preservou o local do crime, prejudicando sensivelmente a reconstituição, e depois ignorou depoimentos importantes, como o do então agente policial Roberto Figueiredo, que viu o policial Mozart Brasil nas imediações da casa de Leal nas horas que antecederam a emboscada.
Foi um crime tão amador que Mozart foi citado, juntamente com Marcone Sarmento e o informante Roque de Souza, num documento do Ministério da Justiça. Com base em investigações da Polícia Federal, Mozart, Marcone e Roque foram apontados como os assassinos de Manuel Leal.
Na prática - e na voz rouca das ruas - o crime estava esclarecido. Dadas as ligações de Mozart com o delegado Gilson Prata e de Marcone com Maria Alice e Fernando Gomes a suposição dos autores intelectuais era quase instantânea.
Ainda assim, dado que a apuração da PF era extra-oficial, Valois conseguiu a proeza de concluir o inquérito sem indiciar ninguém. Só faltou apontar que Manuel Leal cometeu suicídio, bailando diante dos tiros.
A pedido da Justiça, o inquérito foi reaberto, desta vez sob o comando do delegado Gilberto Mouzinho. Amigo declarado de Fernando Gomes, Mouzinho levou as investigações em banho maria, chegando a declarar, em 2000, que não havia sentido apurar um crime que tinha conotações políticas em ano eleitoral. Mais explícito, impossível.
Maldição ou justiça por linhas tortas, Valois e Mouzinho, até então delegados de ponta, caíram em desgraça logo depois.
O primeiro perambula quase como um fantasma por delegacias do interior baiano e o segundo, acusado de formação de quadrilha, assassinato, extorsão e roubo de cargas, chegou a ficar detido e hoje está sem função na Secretaria de Segurança Pública.
MOBILIZAÇÃO
Se faltou empenho da polícia, sobrou firmeza do Judiciário e do Ministério Público.
O juiz Marcos Bandeira e a promotora Cintia Portela não permitiram que as investigações fossem prejudicadas, reunindo material suficiente para indiciar Mozart Brasil, Marcone Sarmento (que continua foragido e portanto não vai a juri) e Thomaz Iracy Cunha Guedes, este um personagem nebuloso na história.
Sobre Mozart e Marcone parece não haver dúvidas da participação no crime, já que foram reconhecidos por várias testemunhas. Uma dessas testemunhas, que está sob proteção, reconheceu Mozart com tanta segurança que apontou até mudanças no seu visual.
A aposta da impunidade começa a ir pelo ralo com os julgamentos de Thomaz no dia 18 e de Mozart no dia 26.
A outra aposta, a de que o caso cairia no esquecimento, revelou-se de uma burrice típica dos que acham que dinheiro, poder e truculência resolvem tudo.
O assassinato de Manuel Leal teve repercussão nacional e internacional e vem mobilizando entidades como Sindicato dos Jornalistas da Bahia, Associação Baiana de Imprensa, Federação Nacional dos Jornalistas, Sociedade Interamericana de Imprensa, Comitê de Proteção a Jornalistas e Repórteres Sem Fronteiras.
O jornal A Região, longe de deixar de circular, tornou-se uma trincheira contra a impunidade, contando com o apoio do jornal A Tarde e, em menor escala, de outros veículos de comunicação.
Não é exagero dizer que essa mobilização, aliada ao empenho da Justiça e do Ministério Público (e apesar da polícia) está garantindo um momento histórico.
Pela primeira vez acusados de matar um profissional de imprensa na Bahia vão a julgamento. Isso numa situação em que 10 jornalistas e radialistas foram assassinados na década de 90.
Aqui subverte-se a lógica dos que esperavam escrever a história com sangue.
A partir do dia 16, e espera-se que a partir de agora, a história de Leal e de tantos outros profissionais de imprensa mortos ou vivos, passe a ser escrita com justiça, responsabilidade e liberdade de expressão.
Manuel Leal está longe de ser um mártir.
Mas está perto de ser um marco, o que não é pouco numa Bahia onde estando no poder ou aliado a poderosos se podia tudo.
(RSF, em www.rsf.org)

O Caso Leal, aqui:
:: Testemunha diz que é comadre de Maria Alice
:: Leal: após 5 anos, enfim Justiça!
:: O que o amor separa, a verdade une
:: A incrível história do delegado que encolheu
:: Mozart é condenado a 18 anos por assassinar Leal
:: Onde se lia sangue, leia-se Justiça!
:: Surge uma testemunha
:: Anatomia de um crime
:: Caso Leal, 5 anos


sábado, 7 de agosto de 2010

Crimes insolúveis em Imperatriz começam a ser desvendados

Na lista dos crimes que estão sendo desvendados estão os do prefeito de Ribamar Fiquene, Ita Alves, e do pecuarista Valtinho

Enfim, os assassinatos considerados insolúveis em Imperatriz tiveram os seus inquéritos reabertos e estão sendo investigados. Num futuro bem próximo, os autores e os mandantes poderão estar atrás das grades.

Entre os crimes que estão na lista dos insolúveis e que tiveram os seus inquéritos reabertos, estão os de que foram vítimas o prefeito de Ribamar Fiquene, Ita Alves, e do pecuarista Edvalter Ribeiro.

Para esses dois crimes, o delegado geral da Polícia Civil, Nordman Ribeiro, já nomeou dois delegados especiais. No caso do prefeito Ita Alves, foi nomeado o delegado Ronilson João Leite Moura e para o caso do pecuarista Edvalter Ribeiro, o Valtinho, foi nomeado o delegado Paulo Márcio Tavares. Além dos delegados, fazem parte da comissão um investigador, um escrivão de polícia e um policial militar. Os dois casos já estão sendo investigados.

Além desses, serão reabertos também os casos do agente de viagem Kennedy; do advogado Valdecy Ferreira Rocha, que segundo informações ainda faltam ser presos os mandantes e outras pessoas envolvidas no crime; do professor e engenheiro José Henrique Paiva, em que chegaram a ser presas algumas pessoas, mas estas foram colocadas em liberdade por falta de provas; da massaterapeuta Sonilândia, um crime recente, mas ainda sem solução, e vários outros.

O delegado geral da Polícia Civil, Nordman Ribeiro, em contato telefônico com a reportagem de O PROGRESSO, informou que para os demais crimes, que ainda não foram desvendados e estão sem autoria, será realizado um trabalho em mutirão.

"Vamos reunir vários delegados, equipes de agentes policiais e escrivães, em parceria com a Polícia Militar e com a Justiça, para que possamos desvendar todos esses crimes", disse Nordman Ribeiro.

Desvendando - A Delegacia de Homicídios, através do delegado Josenildo José Ferreira, mesmo com uma equipe reduzida, vem desvendando crimes, como o do homossexual Cassiano Silva, o Kawany, que foi morto com 4 tiros em outubro do ano passado.

O autor do crime, o personal trainer Cleiton Oliveira, teve prisão preventiva decretada e cumprida pelos policiais da DH. Em depoimento prestado ao delegado Josenildo José Ferreira, ele confessou o crime.

Agora, os policiais da DH estão trabalhando na elucidação do crime de que foi vítima a massaterapeuta Sonilândia. É um trabalho difícil, porque as pistas são mínimas, mas a polícia certamente vai chegar ao autor do assassinato. Sonilândia foi morta a golpes de pau e o corpo foi encontrado no quarto em que residia, numa casa localizada no Jardim São Luís.

Antes de desvendar o caso do homossexual Cassiano Silva, a Kawany, a equipe da DH já tinha desvendado os casos de assassinatos da jovem Ileane da Cruz Oliveira, morta e degolada no bairro Novo Horizonte, cujo autor foi Maicon Melo de Sousa, que está foragido e tem mandado de prisão em aberto; do também jovem Paulo Ricardo Soares Araújo, que era filho de um pastor evangélico, cujos autores foram Frandoaldo Rocha Sousa e Max Ferreira da Silva; e de Walisson Nascimento da Silva, cujos autores foram José Cristiano de Almeida Silva e o adolescente de iniciais A. T. A. O.

sábado, 17 de julho de 2010

Suspeitas de um crime político

Execução de vereador de Acrelândia
Dez pessoas já foram ouvidas pela polícia, incluindo colegas parlamentares, No sábado, Fernando da Costa, o Pinté, falou para amigos que faria revelações que o povo ficaria “arrepiado”

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A forma brutal e misteriosa como o presidente da Câmara de Acrelândia, Fernando José da Costa (PP), o Pinté, foi assassinado, criou um clima de insegurança, medo e revolta entre os moradores do município. O policiamento foi reforçado e dois delegados estão trabalhando nas investigações.

Nesta segunda-feira, 3, dez pessoas foram ouvidas, entre elas os vereadores da cidade, e dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos. São documentos que podem se importantes para desvendar o crime que abalou Acrelândia.

Para quem convivia com Pinté, não há dúvida: foi um crime político. Mas ainda não existem pistas sobre os autores do crime e nem provas concretas que possam revelar os motivos do assassinato. Os bandidos escolheram justamente um dia de festa, com a presença de muitas pessoas de outros municípios na cidade.

A vítima não chegou a comentar com ninguém sobre possíveis ameaças. Mas, segundo informações de pessoas próximas ao parlamentar, ele vinha investigando possíveis irregularidades na administração municipal e tinha afirmado que iria pedir a abertura de uma CPI na sessão desta segunda-feira, 3.

“No sábado, 1º, o Pinté almoçou aqui na minha casa. Ele disse que faria revelações importantes e que o povo ficaria ‘arrepiado’. Não temos nenhuma certeza, mas como os indícios de irregularidades são muitos e o Pinté vinha colhendo informações, acreditamos que tentaram calar a boca dele”, afirmou a presidente do Núcleo do Sinteac em Acrelândia, Maria do Socorro Lima.

Ela disse que mesmo com o clima de medo e insegurança, os professores vão continuar cobrando a abertura da CPI para investigar as possíveis irregularidades na administração pública.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ESPERAMOS QUE ESTE NAO SEJA MAIS UM !!

reprodução de imagem tv globo

SÃO PAULO - A polícia tenta identificar o homem que teria empurrado o carro da advogada Mércia Nakashima para dentro da represa de Nazaré Paulista, na Grande São Paulo. A Justiça, porém, decretou sigilo nas investigações.

Nesta segunda, foi localizado o pescador que viu o carro de Mércia ser jogado na represa.

Segundo ele, um carro parou na margem da represa, e um homem desceu. Três minutos depois, o veículo foi empurrado para a água.

A testemunha disse ainda que ouviu gritos e viu o carro afundando na represa. O homem está no Programa de Proteção à Testemunha e não teve a identidade revelada.

- A real história é essa. ela morreu no próprio dia 23 . Às 19h30m, essa testemunha estava na represa pescando e viu um carro descendo o local, em velocidade baixa. É um senhor, dono de um comércio, que ouviu dois gritos, gemidos que pareciam de criança antes do carro entrar na água - disse Olim.

Segundo o delegado, a testemunha estava do outro lado da represa, a uns 100 metros do carro da advogada, um Honda Fit.

- Ele disse que o carro foi empurrado e desceu uma pessoa do lado do motorista, mas não soube determinar a altura certa - contou o delegado.

Em depoimento à polícia nesta segunda-feira, o pescador garantiu que chegou a ligar para o Disque-Denúncia, mas ouviu como resposta que a polícia já estava investigando o desaparecimento de Mércia. Mas, por achar que a pessoa que estava no carro poderia ser a advogada, resolveu ligar para a família dela.

Um celular, a jaqueta de Mércia, um pedaço do tecido do banco do carro e um boné já estão sendo analisados pela perícia, nos laboratórios de criminalística. O carro da advogada não começou a ser periciado nesta segunda-feira porque ainda estava muito molhado.


DNA , SERA QUE TEREMOS QUE CHAMAR CSI ?

história recente de Alagoas tem evidenciado que o sucateamento do Estado, na área da segurança pública, vem favorecendo a pratica de crimes, sobretudo, o crime contra a vida. Na última década grande número de homicídios foi praticado no estado, poucos foram elucidados. Muitos desses crimes entraram para a lista dos crimes chamados "insolúveis". Mas não há crime insolúvel, o que existe de concreto é a incapacidade do aparelho estatal, por falta de recursos materiais e/ou humanos para elucidar o crime.

Não seria difícil enumerar, de memória, alguns desses crimes que a sociedade civil acredita serem "insolúveis", pelo fato de, na maioria das vezes, a policia não apresentar provas concretas da autoria material ou intelectual, indispensáveis para que os culpados sejam julgados e condenados pela justiça.

O caso típico de crime insolúvel, em Alagoas, e que pode ser um exemplo ilustrativo, é o caso das trinta e duas ossadas encontradas em três cemitérios clandestinos em 1998. Passados mais de quatro anos, depois de muitas idas e vindas, nenhuma ossada foi identificada e nada de concreto foi feito para que fosse resolvido, uma vez que, neste caso, a única técnica capaz de fazer as identificações é o estudo do DNA.

Centenas de parentes de mortos/desaparecidos compareceram ao IML de Maceió, obedecendo à orientação da autoridade responsável pelo problema, preencherem fichas onde foram obtidas algumas informações gerais relativas ao tipo físico, sinais característicos, endereço, etc., informações importantes quando situadas dentro de uma estratégia geral para identificação das ossadas, mas de pouca valia quando tomadas isoladamente.

A ciência, nos últimos anos, deu uma grande contribuição para a resolução de casos relativos a identificação de pessoas desaparecidas: o estudo do DNA. O DNA é a molécula química responsável pela hereditariedade e está presente em todas as células do corpo. Da mesma forma como um código de barras identifica um produto na prateleira do supermercado, o DNA identifica uma pessoa. Cada pessoa possui seu "código de barras" (informação no DNA), que é única e distingue aquela pessoa dentre todas as outras. Pessoas mortas a dezenas, centenas de anos, podem ser identificadas através do DNA obtido de ossos ou dentes.

As trinta e duas ossadas insepultas é um caso representativo para identificação humana de pessoas desaparecidas. Apesar de complexo, do ponto de vista operacional, o mesmo pode ser resolvido, pois não existe nenhum impedimento científico para que as identificações sejam feitas.

A solução do problema passa pela implantação de um Banco de Dados de DNA de Pessoas Desaparecidas. Esse Banco de Dados é um repositório de informações genéticas que torna possível a identificação de pessoas desaparecidas, ou restos mortais, pela comparação com as informações genéticas dos parentes vivos.

Dois tipos de dados serão arquivados: as informações genéticas obtidas a partir do DNA doado pelos parentes de pessoas desaparecidas e as informações genéticas obtidas a partir do DNA extraído de restos mortais (ossos, dentes, etc.). O cruzamento das informações genéticas armazenadas no Banco de Dados permite por em contato as duas pontas do problema: a pessoa ou resto mortal não identificado e a família.

O problema seria atacado simultaneamente em duas frentes, a primeira, com a participação direta da Polícia, Ministério Público, IML, e de Organizações Não Governamentais que trabalham com a defesa e proteção dos direitos humanos. Esse grupo intersetorial desenvolveria trabalho específico em suas áreas de atuação e junto aos supostos parentes das vítimas. Já os parentes seriam, informados dos objetivos do trabalho e se concordarem com o mesmo, doariam amostras de sangue para estudo do DNA. As informações genéticas obtidas dessas pessoas seriam depositadas no Banco de Dados.

A segunda fase seria relativa ao estudo do DNA das ossadas, que necessariamente tem de ser efetuado em laboratório capacitado para este tipo de estudo. As informações genéticas obtidas a partir das ossadas também seriam depositadas no Banco de Dados. A etapa final seria a comparação genética e estatística dos dados obtidos das ossadas com aqueles dos supostos parentes.

A solução proposta acima para identificação de restos mortais não é um exercício teórico, uma vez que esse método vem sendo utilizado mundialmente, com êxito, nas situações em que as técnicas clássicas de identificação falham. Os exemplos se multiplicam em países como Argentina Chile, Colômbia, Bósnia, Eslovênia, Croácia e muitos outros.

Países da Europa, América do Sul e os Estados Unidos, possuem Banco de Dados de DNA de Pessoas Desaparecidas. O Banco de Dados de DNA está tendo papel central, e muitas vezes único, na identificação das vítimas do atentado às torres gêmeas nos Estados Unidos, na identificação das vítimas da guerra na antiga Iugoslávia, na identificação das pessoas mortas pela ditadura no Chile e na identificação das vítimas da guerrilha na Colômbia.

O crime, como a economia, está globalizado. Uma criança pode ser raptada no Brasil e, anos mais tarde, ser encontrada em outro país. Da mesma forma, a facilidade de deslocamento, pessoas podem desaparecer, vítimas de violência ou doenças como o mal de Alzheimer, e outras formas de demência. Estas pessoas, incapazes de se orientarem por conta própria, podem ser localizadas em qualquer parte do mundo. Diante dessa realidade, o Banco de Dados de DNA deve ser estruturado de forma tal que as informações armazenadas possam ser cruzadas com Bancos de Dados de outros países.

A implantação de um Banco de Dados de DNA, ou de forma mais generalizada, das técnicas de identificação humana pelo DNA, aparentemente simples, conforme delineado acima, depende de conhecimentos científicos bastante complexos, principalmente dos resultados mais recentes sobre o sequenciamento do genoma humano. Estes conhecimentos são produzidos em Universidades e Centros de Pesquisa, sendo as tecnologias deles resultantes aplicadas pelas Polícias mais avançadas do mundo.

A Universidade Federal de Alagoas, possui Laboratório de DNA Forense, com domínio completo das técnicas de identificação humana pelo estudo do DNA. Dentre as Universidades brasileiras públicas, somente a UFAL e a UERJ desenvolvem este tipo de trabalho na área forense. O Laboratório é reconhecido, pelo trabalho que realiza, como um dos melhores do Brasil na área de identificação humana pelo DNA utilizando ossos.

Atendendo solicitação da Secretaria de Defesa Social, várias identificações foram realizadas utilizando como material de estudo ossos, tecidos carbonizados, cartilagem etc. O Laboratório tem projetado o nome de Alagoas na área desta ciência, quando atendendo solicitações para identificação de restos mortais e outros casos forenses, dos estados de Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Pernambuco.

Alagoas tem hoje todas as condições para se destacar nacionalmente como o Estado pioneiro e mais avançado na utilização da ciência no combate ao crime e à impunidade. Para que isto se torne realidade, as relações entre o poder Executivo (Secretaria de Defesa Social), Poder Judiciário, Ministério Público e Universidade Federal de Alagoas devem ser ampliadas e somados esforços para se atingir um objetivo único, que é colocar à disposição da sociedade os mais modernos avanços da ciência forense na área de identificação humana.

Finalizamos com o pensamento do professor José Lorente, coordenador do Projeto Fênix de identificação humana sediado na Universidade de Granada na Espanha: "Nos Estados de Direito, a identificação humana surge basicamente como uma necessidade civil e penal ... Mas, além de uma necessidade legal, a identificação humana, sabe com segurança absoluta quem é cada pessoa ou a que grupo familiar pertence, é uma necessidade social, e mais ainda, humana, a qual não nos podemos furtar"